<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?><article xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance">
<front>
<journal-meta>
<journal-id>1984-4395</journal-id>
<journal-title><![CDATA[Conhecimento & Inovação]]></journal-title>
<abbrev-journal-title><![CDATA[Conhecimento & Inovação]]></abbrev-journal-title>
<issn>1984-4395</issn>
<publisher>
<publisher-name><![CDATA[Instituto Inovação]]></publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id>S1984-43952010000100017</article-id>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt"><![CDATA[Publicar ou depositar a patente?]]></article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name>
<surname><![CDATA[Federman]]></surname>
<given-names><![CDATA[Sonia Regina]]></given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="A01"/>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="A01">
<institution><![CDATA[,INPI  ]]></institution>
<addr-line><![CDATA[ ]]></addr-line>
</aff>
<pub-date pub-type="pub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<pub-date pub-type="epub">
<day>00</day>
<month>00</month>
<year>2010</year>
</pub-date>
<volume>6</volume>
<numero>1</numero>
<fpage>48</fpage>
<lpage>49</lpage>
<copyright-statement/>
<copyright-year/>
<self-uri xlink:href="http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1984-43952010000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&amp;pid=S1984-43952010000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri><self-uri xlink:href="http://inovacao.scielo.br/scielo.php?script=sci_pdf&amp;pid=S1984-43952010000100017&amp;lng=en&amp;nrm=iso"></self-uri></article-meta>
</front><body><![CDATA[ <p align="right"><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>OPINI&Atilde;O    / ARTIGO DO LEITOR</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="4"><b>Publicar ou    depositar a patente?</b></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2"><b>Sonia Regina    Federman</b></font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Engenheira qu&iacute;mica,    doutora em engenharia metal&uacute;rgica e de minas na &aacute;rea de materiais    pela UFMG, autora do livro <i>Patentes desvendando seus mist&eacute;rios</i>    pela Qualitymark/RJ, examinadora de patentes do INPI. <a href="mailto:federman@inpi.gov.br">federman@inpi.gov.br</a></font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p align="center"><img src="/img/revistas/cinov/v6n1/17f01.jpg"></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O prazer dos pais    ao nascer o herdeiro &eacute; mostr&aacute;-lo ao mundo. O mesmo prazer e ansiedade    tem o inventor quando soluciona um problema t&eacute;cnico ou desenvolve um    medicamento. No af&atilde; de conseguir parceiros interessados por sua inven&ccedil;&atilde;o    ele a divulga sem nenhum crit&eacute;rio. Por&eacute;m, da mesma forma que os    pais se preocupam com a seguran&ccedil;a e o futuro da crian&ccedil;a, o inventor    deve se preocupar em proteger sua inven&ccedil;&atilde;o, sob pena de ser copiado    ou at&eacute; mesmo impedido de exercer o direito de produzir sua pr&oacute;pria    cria&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O que o inventor    deve ent&atilde;o fazer? Mais especificamente, o que o pesquisador de centros    de pesquisa e universidades deve fazer? Publicar artigos? Depositar a patente?</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O cientista &eacute;    avaliado pelo n&uacute;mero de publica&ccedil;&otilde;es que possui. Em 2008,    os pesquisadores brasileiros publicaram 30.415 artigos, correspondendo a 2,63%    de toda a produ&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica mundial. Mais publica&ccedil;&otilde;es    levam a um maior reconhecimento e maior &iacute;ndice de aprova&ccedil;&atilde;o    de projetos pelos &oacute;rg&atilde;os de fomento.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Paralelamente,    o assunto patente ainda &eacute; tabu para alguns pesquisadores. Eles alegam    falta de tempo para se dedicar ao tema, dizem que &eacute; muito complicado,    burocr&aacute;tico e demorado, e, ainda mais, &eacute; caro. E com isso, o Brasil    se mant&eacute;m como a "lanterninha" no ranking de dep&oacute;sito de patentes    entre os pa&iacute;ses formadores do BRIC, para n&atilde;o falar da sua coloca&ccedil;&atilde;o    no ranking de patentes depositadas no escrit&oacute;rio de patentes americano.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Na verdade, a patente    n&atilde;o &eacute; complicada nem burocr&aacute;tica, da mesma forma que a    confec&ccedil;&atilde;o de um artigo cient&iacute;fico n&atilde;o o &eacute;    para o pesquisador experiente. No in&iacute;cio, &eacute; dif&iacute;cil, mas,    depois, passa a ser autom&aacute;tico para o pesquisador que deseja proteger    sua pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Em rela&ccedil;&atilde;o    ao tempo, enquanto a publica&ccedil;&atilde;o do artigo leva, em m&eacute;dia,    um ano, a concess&atilde;o da patente leva cerca de 6 a 7 anos, dependendo da    &aacute;rea tecnol&oacute;gica. Esse atraso n&atilde;o &eacute; privil&eacute;gio    brasileiro. Nos Estados Unidos, a m&eacute;dia de espera para uma patente &eacute;    de 5 anos. As exce&ccedil;&otilde;es s&atilde;o creditadas &agrave; Cor&eacute;ia    do Sul e ao Jap&atilde;o, com m&eacute;dia de dois anos e meio.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Se depois de todo    esfor&ccedil;o aplicado na pesquisa, for alcan&ccedil;ado um resultado com expressivo    potencial tecnol&oacute;gico, duas coisas podem acontecer: (i) o pesquisador    depositar a patente, uma empresa se interessar em implement&aacute;-la e eles    estabelecerem parceria para produ&ccedil;&atilde;o ou licenciamento da tecnologia    ou, (ii) se ele n&atilde;o depositar, alguma empresa pode aproveitar a sua pesquisa    e redigir o pedido de patente e ser sua detentora, e o pesquisador n&atilde;o    ter&aacute; como contestar o direito industrial.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Um caso que ilustra    bem essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; o do rem&eacute;dio Capoten (Captopril)    utilizado por hipertensos. Esse medicamento foi desenvolvido por um m&eacute;dico    paulista que decidiu publicar os resultados do estudo em peri&oacute;dico internacional.    Resultado: o laborat&oacute;rio de uma multinacional farmac&ecirc;utica, reconhecendo    o potencial dos resultados apresentados no artigo, transformou todas as informa&ccedil;&otilde;es    em uma patente que foi depositada, claro, no seu nome. O pesquisador n&atilde;o    teve como contestar o laborat&oacute;rio. Seu artigo focava uma pesquisa cient&iacute;fica,    com informa&ccedil;&otilde;es importantes que possibilitaram transform&aacute;-la    em patente de um medicamento j&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es de ser disponibilizado    aos pacientes - sem que a empresa precisasse gastar dinheiro ou tempo na pesquisa.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Entretanto, existem    aqueles que, sensatamente, depositam o pedido de patente e colhem os frutos    dos <i>royalties</i> quando alguma empresa decide licenci&aacute;-la. Foi o    que aconteceu com pesquisadores paulistas que desenvolveram um diamante artificial,    devidamente protegido por patente (PI 9500865-9). Entre suas utiliza&ccedil;&otilde;es    est&aacute; inclu&iacute;da uma broca para uso odontol&oacute;gico. "Cerca de    4 mil dentistas no Brasil j&aacute; possuem essas brocas. Exportamos para pa&iacute;ses    da Am&eacute;rica Latina como M&eacute;xico e Costa Rica, al&eacute;m de Israel.    Estamos agora come&ccedil;ando a negociar com a Europa. Duas empresas se mostraram    interessadas em revender o material para mais 49 pa&iacute;ses", conta Vladimir    Jesus Trava Airoldi, um dos s&oacute;cios da empresa.</font></p>     ]]></body>
<body><![CDATA[<p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outra preocupa&ccedil;&atilde;o    &eacute; relativa aos custos do dep&oacute;sito no Instituto Nacional da Propriedade    Industrial (INPI) que o pesquisador imagina que seja muito cara. Quando fica    sabendo que, para o dep&oacute;sito do pedido de patente, a taxa de retribui&ccedil;&atilde;o    cobrada &eacute; de R$ 80 - para pessoa f&iacute;sica - ou R$ 200 - para empresa,    ficam surpresos. Al&eacute;m disso, no caso de pesquisadores de centros de pesquisa    - uma vez que a patente pertencer&aacute; ao empregador - quem arcar&aacute;    com os custos da tramita&ccedil;&atilde;o e acompanhamento do processo no INPI,    geralmente &eacute; a pessoa jur&iacute;dica e n&atilde;o o inventor. O simples    dep&oacute;sito do pedido de patente j&aacute; garante uma expectativa de direito    industrial (o direito consumado vem com a concess&atilde;o da patente) enquanto    a publica&ccedil;&atilde;o do artigo garante o direito autoral. O empres&aacute;rio    brasileiro n&atilde;o vai se aventurar no desenvolvimento de um produto que    n&atilde;o esteja protegido, sob pena de ser responsabilizada de infringir direitos    de terceiros e manchar seu nome. N&atilde;o &eacute; que se v&aacute; depositar    uma patente para tudo o que se pesquisa, mas o que for realmente importante    merece que sua prote&ccedil;&atilde;o seja considerada.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Uma determinada    tecnologia pode n&atilde;o apresentar interesse cient&iacute;fico/industrial    imediato. &Eacute; o que acontece, muitas vezes, na ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica.    Na pesquisa de uma determinada mol&eacute;cula, outras s&atilde;o geradas e,    futuramente poder&atilde;o gerar novos medicamentos. A publica&ccedil;&atilde;o    de uma tecnologia sem a devida prote&ccedil;&atilde;o pode comprometer a possibilidade    de uma futura comercializa&ccedil;&atilde;o.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Outro fato a ser    considerado &eacute; relativo ao dinheiro liberado pelo governo para a concretiza&ccedil;&atilde;o    das pesquisas. No Brasil, quem mais investe em pesquisa e desenvolvimento &eacute;    o Estado, por meio do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico    e Tecnol&oacute;gico), ligado ao Minist&eacute;rio da Ci&ecirc;ncia e da Tecnologia    e da Capes (Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de    N&iacute;vel Superior), ligada ao Minist&eacute;rio da Educa&ccedil;&atilde;o.    Uma das obriga&ccedil;&otilde;es do servidor p&uacute;blico - caso do pesquisador    de centros de pesquisa e universidades - &eacute; zelar pelo bem p&uacute;blico    que n&atilde;o se restringe aos equipamentos e materiais, mas, tamb&eacute;m,    ao dinheiro direcionado &agrave;s pesquisas.</font></p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">O pesquisador n&atilde;o    precisa escolher entre publicar ou depositar. Ele pode e deve fazer as duas    coisas. Deve publicar para liberar o conhecimento para a sociedade e deve depositar    a patente, para garantir a prote&ccedil;&atilde;o da pesquisa e do dinheiro    p&uacute;blico, evitando que outros que n&atilde;o investiram tempo, pessoal    e recursos financeiros se aproveitem graciosamente desse esfor&ccedil;o. Primeiro,    deve depositar o pedido de patente para garanti-la, depois, sim, pode publicar    todos e quantos artigos quiser.</font></p>     <p>&nbsp;</p>     <p>&nbsp;</p>     <p><font face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size="2">Esta se&ccedil;&atilde;o    &eacute; destinada a publicar artigos que s&atilde;o enviados pelos leitores    por meio do site <a href="http://www.conhecimentoeinovacao.com.br" target="_blank">www.conhecimentoeinovacao.com.br</a>.</font></p>      ]]></body>

</article>
